quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

Resenha de Nove Amanhãs



Sinopse:
Êstes originalíssimos contos de ficção científica constituem "flashes" imprevisíveis sobre um futuro não muito distante de "o espaço - terra dos homens".
No estilo de Asimov, de transplantar para a futura vida no espaço, não apenas histórias de humanos, mas histórias humaníssimas pelos sentimentos e situações vividas pelo homem em outras gravitações, e que seguramente os astronautas de hoje já experimentaram, êste livro compreende uma série de contos, no gênero dos célebres "Mistérios de Asimov", (...).
Perspicaz nas observações, sadio e malicioso nas intenções, terrivelmente realista, êste livro de histórias do futuro reflete a incomparável habilidade de Asimov em combinar fatos científicos com inesperados e acientíficos comportamentos do ser humano. Esta peculiaridade da ficção de Asimov, que o notabilizou nas célebres "Leis da Robótica", enunciadas no seu livro "Eu, Robô" (...) é, sem dúvida, responsável pelo fascínio que seus livros exercem sôbre seus numerosos e fiéis leitores. Skoob

Excelente livro de contos (publicado pela primeira vez em 1959) de Isaac Asimov, um dos maiores escritores de ficção científica do século XX. Nele, sete contos sobre futuros e realidades possíveis nos são apresentados. São estórias surpreendentes que serviram (e ainda vão servir) de inspiração para inúmeras outras obras de ficção (da literatura, do cinema,...). Pode parecer estranho que “sete” contos representem “nove” amanhãs, mas a explicação faz parte da compreensão da própria obra.

PROFISSÃO

Em uma época em que o ser humano coloniza a galáxia, existem três épocas especiais para os terráqueos: O “Dia da Leitura”, o “Dia da Profissão” e o período das “Olimpíadas”. No primeiro, as crianças de oito anos recebem, por fitas de instrução, o conhecimento necessário para se tornarem alfabetizadas; no segundo, aos dezoito, recebem o conhecimento para assumirem a profissão mais compatível com suas capacidades mentais; na terceira, os jovens instruídos disputam uma vaga de trabalho em um dos vários planetas exteriores, reservadas aos melhores de cada área. Neste mundo, onde as dúvidas a respeito da profissão foram eliminadas pelo sistema de instrução, um jovem encontra-se em uma situação única, onde sua ambição é confrontada com uma inesperada verdade.

Este é um conto sensacional, principalmente para aqueles que questionam a profissão ou curso (pretendidos e/ou escolhidos) e a dificuldade encontrada para alcançar seus sonhos.

A SENSAÇÃO DE PODER

No futuro as pessoas sabem que se alguma conta precisa ser feita, utiliza-se uma calculadora. Do mais ignorante ao maior gênio, todos sabem que calcular é uma tarefa para máquinas, dês de uma simples soma até uma raiz complexa.  Entretanto esse paradigma passa a ser revisto quando um “técnico não especializado” demonstra ter descoberto a habilidade de fazer contas usando nada mais que uma folha de papel, um lápis e sua mente.

Apesar de ser escrito no fim dos anos de 1950, é uma bela estória sobre quão o ser humano pode ficar dependente da tecnologia e como um conhecimento considerado banal pode cair no esquecimento pelo desuso e ainda ser ignorado pelos maiores gênios.  É um texto que continua atual, pois quantos de nós conseguiríamos passar uma semana sem um celular, ou fazer uma pesquisa de faculdade sem internet?  Mas Asimov não se limita a isso, pois, neste conto, ele demonstra ainda como uma “nova” descoberta pacífica pode ser deturpada.

OS ABUTRES BONDOSOS

Este conto não se ambienta no futuro, mas na época em que foi escrito (do nosso ponto de vista, passado), entretanto ele trata do que ainda há para acontecer. Nele, uma base de hurrianos encontra-se a postos, no outro lado da lua, para poder salvar os terráqueos das consequências de sua iminente guerra nuclear. Entretanto a espera, que acreditavam ser breve, já se estendia por 15 anos sem o menor sinal de conflitos nucleares quando resolvem abduzir um nativo para descobrir o que há de “errado” com os terráqueos.

É uma estória interessante, pois não só lembra o ditado de que “o inferno está cheio de boas intenções” como mostra o efeito que as palavras e a crueldade têm sobre seres inteligentes e gentis.

TODOS OS PROBLEMAS DO MUNDO

No futuro, é criado um gigantesco computador para resolver os problemas da humanidade: o Multivac. Com ele é possível estabelecer a probabilidade de um delito vir a ocorrer e tomar atitudes para que estas probabilidades zerem. Desta forma, a infalibilidade do Multivac seria suficiente para inibir qualquer crime premeditado. No entanto, um delito sem precedentes é previsto, um que mesmo os operadores mais qualificados podem não ser capazes de deter.

Neste conto, Asimov mostra como a sociedade pode, por livre iniciativa, abrir mão de suas individualidade e privacidade em detrimento do conforto, delegando às máquinas nossas mais básicas responsabilidades, como cuidar de nós mesmos.

ESCREVAM MEU NOME COM “S”

“Marshall Zebatinsky”, um físico descontente com sua carreira, procura os serviços de um numerólogo que, após uma análise cuidadosa, recomenda ao cliente a troca de apenas uma letra em seu nome. Este ato acaba resultando em conseqüências de ordem inimaginável ao próprio “Sebatinsky”.

Este é um belo conto relacionado com o conceito posteriormente denominado de “efeito borboleta”, onde uma única e banal decisão pode resultar tanto na salvação como na extinção da humanidade.

A ÚLTIMA PERGUNTA

Nesta estória, Multivac é questionado sobre se o ser humano virá a ser capaz de reverter o efeito da entropia e, como resposta, diz: DADOS INSUFICIENTES PARA RESPOSTA CONCRETA. Com o passar de anos, séculos e milênios, variações daquela pergunta são realizadas às máquinas descendentes do Multivac original, obtendo-se a mesma resposta, até um final surpreendente.

Este conto é fantástico, não só por ilustrar a humanidade ao longo de eras, ou por demonstrar como um problema pode evoluir de irrelevante a crítico com o passar do tempo, mas pelo criativo encerramento que leva a pensar: “Final?”

O GAROTINHO FEIO

Neste conto, que encerra a obra, uma enfermeira é contratada para trabalhar na “Estase”, laboratório que consegue trazer para o presente “itens” (minerais, vegetais, animais,...) do passado mantendo-os em um ambiente controlado. A função dela, neste lugar tão insólito, consiste em cuidar de um inocente “menino-de-neandertal”.

Este belo conto, fundamentado no amor materno, mostra como a aparência pode conduzir a impressões que, somente após o convívio, se mostram imprecisas e quanto a publicidade pode influir, seja em artigos jornalísticos ou em decisões científicas.

P. M. Zancan

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