domingo, 8 de janeiro de 2012

Resenha de Minority Report


Sinopse:
MINORITY REPORT - A NOVA LEI traz uma coletânea de contos de Philip K. Dick, mestre da ficção científica e criador de histórias cultuadas no meio literário e também nas telas, como Blade Runner: o caçador de andróides (baseado no romance Do androids dream of electric sheeps!) e Vingador do futuro (inspirado em Podemos recordar para você, por um preço razoável). O conto que dá nome ao livro, inspirou o cineasta Steven Spielberg a realizar o filme homônimo que chegou aos cinemas estrelado por Tom Cruise. Houve, ainda, outras adaptações de Dick, como Screamers - Gritos mortais e Impostor, sem mencionar a produção francesa Confissões de um doido, sobre a vida nos EUA da década de 1950, e inúmeros projetos que não saíram do papel. Um deles despertou a atenção do ex-Beatle John Lennon. Skoob


Já me disseram que na arte “nada se cria, tudo se copia”. Na verdade, depois que tanto foi criado, dês do surgimento das artes (literatura, pintura, música,...), é difícil criar algo completamente original. Desta forma, acredito que a qualidade de um artista pode ser percebida não só em sua originalidade, mas também nas obras que lhe serviram de inspiração e referência assim como quanto sua obra inspirou outros trabalhos. Neste livro de contos percebe-se ambos os critérios, demonstrando que Philip K. Dick foi realmente um brilhante escritor.

As estórias são ambientadas em épocas futuras, apesar de a tecnologia apresentada, muitas vezes, parecer obsoleta, do nosso ponto de vista. Entretanto a tecnologia e o ambiente são apenas ferramentas que ajudam as narrativas, onde o foco está nas pessoas, seus desejos, medos, ambições,... Em grande parte são contos que inspiraram (de forma direta ou indireta) alguns filmes e séries, cultuados nos últimos anos, e que podem inspirar inúmeras outras obras, visto que tratam características humanas inextinguíveis.


MINORITY REPORT - A NOVA LEI

O conto que abre este livro, e que serviu de base para um filme homônimo (Minority Report, 2002), é essencialmente similar ao conto “Todos os Problemas do Mundo”, de Isaac Asimov (quarto conto de “Nove Amanhãs”). Em Minority Report, três mutantes são utilizados para prever o futuro. Estas previsões permitem que policiais prendam assassinos antes que estes matem. A infalibilidade no sistema é colocada a prova quando John Allison Anderton, chefe do departamento pré-crime, é indicado como assassino de alguém que ele, até então, desconhece.

É um conto que trata de uma questão interessante: conhecendo nosso próprio futuro, teríamos condições de mudá-lo? Com a esperança de um futuro mutável, Anderton reavalia suas convicções no sistema que o guiava, similar a quando se percebe ter os mesmos “defeitos” que se critica em outros. 

JOGO DE GUERRA

No Terran Import Bureau of Standards, produtos são avaliados antes de receberem autorização para serem importados pela Terra. Dentre eles, encontram-se brinquedos de Ganimedes, cujos perigos podem ser surpreendentes.

Esta estória mostra como algo (brinquedos) inofensivo para uns (ganimedianos) pode se mostrar perigoso para outros (terráqueos) e como decisões erradas podem ser tomadas na falta de uma avaliação cuidadosa.

O QUE DIZEM OS MORTOS

Este é o único conto deste livro que aparenta não ter sido revisado. Nele, Johnny Barefoot é o responsável por conduzir o falecido milionário Louis Sarapis à casa funerária que proporcionaria ao finado sua semi-vida, processo que permite manter ativa a consciência dos falecidos enquanto seu corpo é guardado. Entretanto, por melhor que fossem os profissionais contratados, a consciência de Sarapis não surge como planejado.

Apesar de a estória ser boa, o autor introduz mais elementos na estória do que acabam não sendo necessários, como personagens dispensáveis. Muitos aspectos são tratados neste conto, como a ambição, a lealdade e a confiança, demonstrando como Philip K. Dick era criativo. Por diversas vezes, ele sinaliza um encerramento interessante para a estória apenas para continuá-la por mais alguns parágrafos. Ao final, quando uma conclusão interessante é apresentada, o conto termina de forma um tanto abrupta, para uma estória tão extensa.

AH, SER UM BOLHO!

Durante a guerra entre humanos e “bolhos” (alienígenas amorfos), muitos soldados (em ambos os lados) submeteram-se a procedimentos para assumirem aparência dos inimigos e atuarem como espiões. Com o final da guerra, nenhum deles pôde retornar completamente a seu estado natural. Deprimido por não ser completamente humano em seu próprio mundo, George Munster procura um analista que oferece uma solução para sua solidão.

Nesta estória, a questão fundamental são os valores pessoais. O quanto os preconceitos e paradigmas podem interferir na satisfação pessoal e até que ponto estes podem resistir à nossas ambições e mesmo à ganância.

PODEMOS RECORDAR PARA VOCÊ,
POR UM PREÇO RAZOÁVEL

Neste conto, Douglas Quaid, um terráqueo cansado de sua monótona vida, sonha em conhecer Marte. Devido a suas limitações, decide comprar recordações do planeta vermelho. Neste processo, algo inesperado é revelado.

É uma estória muito interessante, onde uma pessoa que considera a si mesma como não tendo qualquer importância pode estar completamente enganada. Esta estória serviu de inspiração no cinema (O Vingador do Futuro-1990, com Arnold Schwarzenegger como Douglas Quaid) e uma nova adaptação é prevista para este ano (Total Recall-2012, com Colin Farrell, de “A Hora do Espanto-2011”, como Doug Quaid).

A FÉ DOS NOSSOS PAIS

Tung Chien é um funcionário do governo, em Hanói, em um mundo onde a guerra fria foi vencida pelos comunistas. A caminho do trabalho é abordado por um veterano, de quem compra um rapé que mudará sua percepção.

Nesta estória, nem tudo é o que parece. Ele mostra que mesmo em um mundo de “verdades absolutas” há embustes, dos mais simples aos mais perigosos.

A HISTÓRIA QUE ACABA COM TODAS AS HISTÓRIAS

É um breve conto “pós-apocalíptico”, onde a esperança cede terreno para a crueldade.

A FORMIGA ELÉTRICA

Após um acidente, Garson Poole acorda em um hospital e descobre que, ao contrário do que imaginava, não era humano mas um “robô orgânico”. Esta descoberta muda radicalmente sua percepção de mundo.

É uma estória interessante que explora o modo como percebemos o mundo ao redor (pessoas, objetos, ambiente, ...) e como a curiosidade pode conduzir um indivíduo determinado a decisões perigosas.

A SEGUNDA VARIEDADE

Em um mundo devastado pela guerra entre a União Soviética e o ocidente, robôs são desenvolvidos e construídos por conta própria para refrear o exército vermelho. Depois de anos de conflito, o major Hendricks é enviado para ouvir a proposta de paz inimiga mas acaba por descobrir um inimigo muito pior.

É uma estória sensacional, onde a dúvida a respeito da identidade do inimigo podem levar dês da paranoia ao descuido fatal. A gravidade do problema enfrentado demonstra o risco que se corre por tomar decisões sem avaliar todas as implicações.

Os fãs de Ficção Científica vão relacionar este conto a estórias conhecidas como “Exterminador do Futuro” ou “Battlestar Galactica”, seja no mundo devastado por uma guerra, na dúvida quanto à identidade do inimigo ou na eficiência com que as máquinas caçam os humanos.

IMPOSTOR

Neste último conto, a Terra encontra-se em guerra contra os agressores invulneráveis de Alpha Centauro. Spence Olham, um dos vários cientistas que trabalham na busca por uma arma definitiva, encontra-se próximo à conclusão de seu projeto. Entretanto, quando é acusado de ser um impostor alienígena, sua vida pode acabar antes mesmo da verdade ser revelada.

É um conto interessante, pois mostra como um suspeito pode ser considerado culpado, sem chance de defesa, devido ao medo do perigo. O protagonista, estando só, usa seu intelecto para poder provar inocência até um final surpreendente.

Este conto é outro, baseado em obras mais antigas, que inspirou obras mais novas. O conceito de uma pessoa ser espião infiltrado sem o próprio conhecimento, a acusação feita a Spence, já havia aparecido em “Sob o Domínio do Mal” (de 1962, refilmado em 2004), e o fato do protagonista agir sozinho para provar inocência, em meio à paranóia, serviu de base a outras obras, como o episódio “Sussurros”, de “Jornada nas Estrelas - Deep Space Nine”.

P. M. Zancan

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