sábado, 17 de agosto de 2013

Clube das Blogueiras escritoras Conto 1

Olá

Bem, não espliquei antes, mas algumas amigas Blogueiras e eunos unimos em um projeto.
Vamos escrever contos e uma vez por mês publica-los.
O conto de estreia é da Eykler do blog Agridoce.
Nosso tema do mês é Revolução




“SE NÃO TÊM PÃO; QUE COMAM BRIOCHES”.



FONTE: Ele e Ela On

Rachel nunca se considerou uma ativista, mas também não fazia parte do grupo que se fazia de cego, surdo e mudo.
Estudante o sexto período de Ciências Sociais, ela tinha consigo a seguinte frase: “O povo e o boi não sabem a força que tem”, sendo assim ela sempre defendeu suas convicções, sem se deixar levar pelas opiniões da massa.
Carlos, por sua vez, era do tipo explosivo; seu lema sempre foi: “Se não brigar pelo o que acredito ninguém o fará por mim.” E com isso Carlos sempre se ia à frente das manifestações e reivindicações do Diretório Acadêmico da Faculdade de Ciências Sociais.
Ambos estavam na mesma sala, e com opiniões sempre tão divergentes, não era de se estranhar que viviam se engalfinhando pelos corredores.
No decorrer do ano letivo, o professor de Ciência Politica propôs um trabalho em grupo cujo tema seria Revolução Francesa. Ao ver o tema do trabalho, Rachel se sentiu com a sorte grande, pois em sua época de colégio a Revolução Francesa foi seu momento histórico favorito. A força da massa, em derrubar o poder francês da época foi o que a motivou a ter consigo a sua frase preferida. Ela sempre se viu em meio às batalhas da época, e isso a deixava um pouco incomoda, porque ela sempre pensou que as manifestações podem ter consequências muito diferentes das que são propostas.
Como o trabalho seria em grupo, o professor fez o sorteio dos membros,e para infelicidade de Rachel e felicidade de Carlos, eles estariam no mesmo grupo. Carlos viu ali a chance de mostrar a Rachel que ela deveria se posicionar quanto ao que ela acredita, e Rachel sabia disso. Para ela estava instaurada ali uma batalha que ela não sabia se queria lutar.
Com os grupos definidos, e com seu espírito de liderança; Carlos resolveu marcar a primeira reunião para discutirem a linha a ser tomada no trabalho, para o próximo sábado. Rachel tentou por todos os meios possíveis adiar esse primeiro debate, para poder estudar todas as nuances da Revolução Francesa, e rebater as propostas idealizadas por Carlos, mas com a maioria do grupo achou melhor começarem logo. Rachel se viu sendo voto vencido, e Carlos ganhou sua primeira batalha.
Naquele mesmo dia Rachel já começou a estudar para defender seu ponto de vista, o que nem sempre coincidia com a da maioria. À noite vendo os telejornais, pois é a única coisa que ela vê na TV, por diversas vezes ela se viu ‘torcendo’ para a polícia e o pelotão de choque, quando os baderneiros e bandidos se infiltravam em manifestações que estavam ocorrendo naquele exato momento em seu país. Manifestar é uma coisa; bagunçar a vida de toda uma cidade e região é outra, Rachel pensava enquanto imagens de destruição e saques iam sendo exibidas na TV. Ela também se emocionava, e ficava orgulhosa de sua geração quando via os protestos pacíficos e os jovens de sua geração se faziam ouvir. Em meio a tantos pensamentos, Rachel adormeceu e teve um dos sonhos mais fantásticos.
“Rachel corria, ela não sabia para onde estava indo, mas ela sabia que precisava fugir. Ao longe ela ouvia sons de cachorros latindo e tiros sendo disparados. Seus pulmões ardiam, ela já não aguentava mais correr, mas algo a impulsionava a ir sempre em frente.
Ela vestia roupas características do século 17, seu vestido simples, de camponesa, era levemente armado nas saias, e seu espartilho lhe aperta tanto o tronco que ela sentia que seu coração sairia pela boca ao qualquer momento.
Ao longe ela ouvia uma voz masculina que gritava: ‘Corram, ela não pode ter ido longe; afinal não passa de uma mulher. ’ Ao ouvir isso seu sangue ferveu, ela teve um breve desejo de voltar, mas sabia que se voltasse correria risco de ser presa e ficaria sem poder defender seu ideal. De repente, quando parou para se recuperar um pouco, sentiu uma mão tampar-lhe a boca e de súbito foi puxada para dentro de uma porta, que tão logo foi fechada, ficou camuflada entre as trepadeiras que se erguiam pelo prédio.
Lá de dentro, ela ouviu os cachorros que a perseguiam passar pelo lado de fora da porta, e os guardam que a perseguiam gritando palavras de ordem. 
- Fique calma, aqui dentro conosco você está segura! – disse a misteriosa voz que a salvou. – Me chamo Jean Jacques; e qual seu nome?
- Marie; eu me chamo Marie.  – “aturdida por revelar seu nome ao um estranho, ela não viu outra solução a não ser acreditar que ele poderia lhe ajudar.”.
De fora de seu sonho Rachel tentava se desvencilhar de tudo aquilo, acordou assustada, sem saber o que acontecia. Viu que tinha adormecida na sala de sua casa, levantou tomou um copo d’água, e pensou que toda aquela história de Revolução Francesa, fazer parte do grupo de Carlos, e ser voto vencido a tinham deixado pensativa e temerosa, e ela nem havia percebido isso. Resolveu tomar seu banho, e deitar na sua cama, afinal grande parte do outro dia seria dedicado a estudar para a reunião sobre o trabalho, tendo em vista que já era quarta-feira e ela teria somente dois dias para se preparar para enfrentar Carlos. Mas o que Carlos fazia em seu sonho, como Jean Jacques ela não soube se reponder...
Acomodada em seu travesseiro, e descansada pelo banho que acabou de tomar, Rachel preferiu ler um pouco, até que o sono viesse novamente. Ela poderia ter escolhido qualquer livro em sua estante, mas quando deu por si estava com o livro HISTÓRIA DA REVOLUÇÃO FRANCESA - Da queda da Bastilha à festa da federação, da autora Jules Michelet. Ela se lembrou de ter comprado esse livro quando precisou fazer um trabalho no colégio. Como era o que pretendia fazer no dia seguinte, Rachel acomodou em seu travesseiro e se pegou a leitura. Adormeceu...
“- Marie; eu me chamo Marie.
- Pois bem Marie parece-me que você está em apuros.
Sentaram no que pareceu a Marie ser uma cozinha improvisada, e Jean Jacques ofereceu a Marie o que seria a sua primeira refeição do dia, e ela lhe contou do que fugia.
Os guardas invadiram sua casa, depois que seu pai, um camponês militante na Revolução que explodia pela França afora fora preso,  e condenado a forca. Como a ordem era prender todos que eram contra o governo, ela por ser filha de um militante também se viu correndo risco de ser presa. Ao ouvir os guardas ela fugiu pelas portas dos fundos de sua casa e ficou observando de longe os guarda revirarem sua casa e depois de não encontrar nada que comprometesse atearem fogo nela e falar que  precisavam encontrar a filha do camponês. Com cães perdigueiros, mestres em caça, eles colocaram os cães em seu encalço e logo a viram correndo ao longe.
Como inocente se viu sendo perseguida, ela agora decidira que aquela luta agora era dela, e que seu pai não morreria em vão; a luta de seu pai agora era sua luta.
Apesar de saber que para Marie seu pai ter sido preso era um sentimento de sofrimento, ele gostou de ver a determinação na voz e na atitude dela.
Ele explicou a ela todo o principio da Revolução, o que o levará até ali, e a convidou para fazer parte dos Revolucionários. Jean Jacques e sua equipe, por assim dizer, ficaram incumbidos de invadir a Bastilha e dali retirarem toda munição que assim pudesse. O grupo era composto só por homens, mas ele estava disposto a ajudar Marie a se tornar uma revolucionária.
Vendo o cansaço  estampado no rosto de Marie, Jean Jacques ofereceu a ela um dos aposentos da casa, ela aceitou; afinal sentia que a qualquer momento poderia desmoronar de cansaço. Ele a avisou que ele e seu grupo atacariam a Bastilha dali a três dias, e que ela teria esse tempo para pensar se realmente queria ser uma revolucionária e entrar para a história”.
Rachel acordou no outro dia com a sensação de um trator ter passado por seu corpo, e confusa com seu sonho. Ela uma revolucionária... Somente em sonho. O dia passou voando, e conforme planejou estudou a Revolução Francesa de todas as formas que pensou ser possível. No final do tarde resolveu descansar antes de ir para a faculdade. Já na faculdade evitou Carlos o quanto pode, queria deixar o embate entre os dois somente para sábado, onde havia decidido que iria desbancar qualquer teoria que por ventura ele estivesse elaborando.
Sua noite foi tranquila e sem sonhos, o que a deixou mais descansada e com vontade de estudar na sexta-feira. Pegou todos os livros que pode e que possuía sobre o tema, dedicou-se apenas a estudar. A noite com toda a sensação de dever cumprido, foi para a faculdade, e se Carlos por ventura a viesse importunar, ela nem se importaria de ter um pequeno e breve debate com ele. Mas na sexta Carlos não foi à aula, o que a deixou um pouco desanimada.
Em casa, depois de assistir os telejornais que faziam parte de seu ritual antes de ir para cama, Rachel, pegou o livro de Jules Michelet, e se dedicou a apenas ler e sentir a história. Sonhou...
“Decidida que seu pai não morreria em vão, Marie se juntou ao grupo de Jean Jacques.
Na manhã do dia da invasão da Bastilha, Marie saiu de seu aposento com os cabelos cortados, roupas masculinas, e convicta de sua decisão. Jean Jacques ao ver aquela mulher em sua frente sentiu um misto de orgulho e admiração e pensou que essa sim era uma mulher para se ter como companheira. Vendo Jean Jacques em seu traje de combate, Marie teve o mesmo pensamento e sentimento. Mas onde ela estava com a cabeça... Esse não era momento, nem hora para se apaixonar.
Andar pelas ruas vestidas de homem trouxe a Marie certo incomodo, pois parecia que tudo nela gritava que ela era uma fraude. Se esquivando como podiam de onde havia o aglomerado de manifestantes, Jean Jacques os guiou por ruas quase desertas, até chegarem próximos a Bastilha. De longe ficaram observando toda movimentação que por ventura pudesse haver fora e dentro da Bastilha, afinal se tratava de uma fortaleza, e eles estavam prestes a invadi-la.
Tendo observado tudo, e visto o melhor momento, Jean Jacques deu o sinal, e em marcha ele e seu grupo adentraram a fortaleza medieval que se fazia tão imponente a sua frente. Claro que os guardas ali presente os enfrentaram, e retirando força e coragem que ela não sabia de onde, Marie enfrentou cara a cara todos os que a impediam de ter o seu objetivo conquistado. Não foi uma conquista fácil, baixas foram dadas de ambos os lados, e à medida que iam adentrando a Bastilha, Marie e Jean Jacques viam que uma cumplicidade e um entendimento nasciam entre eles.
Lá dentro encontraram apenas sete prisioneiros, e o que a principio era apenas uma invasão em busca de munição, se tornou um ato de apoderamento. Os Revolucionários por fim tinham seu próprio quartel dentro da Revolução. Com a sensação que o lema da Revolução lhes dava (LIBERDADE, IGUALDADE E FRATERNIDADE) eles ficaram na Bastilha por tempo suficiente, até seus companheiros chegarem e se juntarem a eles.
Sem saber o que fazer dali adiante, Marie ficou sentada em uma das entradas da Bastilha. Foi quando sentiu alguém se aproximando. Levantou de um pulo só, foi quando avistou Jean Jacques, mas ele não vinha sozinho. Um homem, fraco, era conduzido até ela. Apesar de toda força que reuniu para a invasão, Marie se deixou fragilizar pelo o que via a sua frente. Apoiado pelos braços de Jean Jacques, ela via seu pai sendo levado até ela, a sentença de enforcamento ainda não havia sido cumprida.
Com seu pai ao seu lado, com Jean Jacques a olhando de um jeito que ela queria que ele a olhasse, e  com toda força que reuniu todos esses dias ao lado dos Revolucionários, Marie por fim soube o que deveria fazer dali adiante. Se juntaria aos revolucionários e lutaria pelos direitos que ela tinha, e se ela não o fizesse ninguém o faria por ela”.
O sábado amanheceu ensolarado, e ao contrário dos outros dias em que sonhou; Rachel não se sentia cansada e com o corpo doído. Sentia revigorada, cheia de força. E com o sentimento de quem acabara de fazer parte da história saiu de casa para encontrar Carlos e seu grupo do trabalho, sabendo que posição tomaria quando os debates fossem iniciados.

Eykler Simoneda Mota Daniel
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