sábado, 3 de março de 2012

Resenha de Moedas para o Barqueiro volume II




Sinopse: "A beleza e a tristeza da morte estão presentes nas páginas deste livro, não só do ponto de vista de quem embarcou para outras terras, mas também de quem ficou", diz a escritora Cristiana Gimenes, organizadora do livro Moedas para o Barqueiro - Volume II. "Eu diria que o envolvimento e a reflexão sobre o assunto são recomendáveis, afinal, a morte não só faz parte da vida, como, numa certa medida, dá sentido a ela", completa. Gimenes analisou mais de cem contos para chegar nos 67 textos que compõem o livro. SKOOB

Recebi a alguma tempo do Rafael Sales, parceiro do blog, o livro Moedas para o barqueiro volume II e hoje, depois de ler os 67 contos, vou compartilhar com vocês a experiência de ler essa obra.

Começo falando em como o destino sabe nos pregar peças e às vezes brinca com a realidade: não é que um livro que fala sobre a morte teve um de seus autores falecido antes de ser lançado? Sim, uma grande ironia desse nosso destino, a morte (em pessoa) querendo dar seu toque final a obra. Desculpem os que considerarem o comentário de mau gosto, mas foi realmente um fato muito curioso e eu não poderia deixar de comentar.

O livro é uma seleção de 67 contos sobre a morte escrita por 67 escritores incríveis da nossa literatura fantástica nacional moderna. Tratar os mitos da morte é sempre fascinante e o livro é muito bem escrito e organizado brilhantemente pela Cristiana Gimenes. Pensei algum tempo em como escrever essa resenha, são tantos contos curtos que seria complicado falar de todos, então vou falar de alguns que mais chamaram minha atenção por algum motivo.

Inicio com Chego antes de você do Cristiano Rosa. O conto trata da última conversa de uma suicida com um atendente de hotel (confesso que não sou adepta do suicídio, o acho uma forma melodramática de fuga e não acredito que a fuga só serve aos fracos de caráter), mas o conto chamou minha atenção pela forma que foi escrito: Lilian é uma mulher muito decidida e mostra sua “força” de decisão de forma leve.

Nunca beije a morte de Larissa Rodrigues esse foi certamente meu conto favorito. Ângela, uma garota que estava magoada e que era solitária, vai até a morte e descobre o quão belo ele é (sim a morte nesse conto é um lindo e solitário rapaz), nossa mocinha ainda não estava na hora de ser levada, mas as coisas sempre podem mudar com um beijo.

O conto Zulmira, de Paula Tura, me lembrou muito ficção cientifica: nossa moça é uma pioneira, ela cria comunidades para abrigar pessoas pós morte e é muito boa nisso e assim, após montar a comunidade, ela segue sua missão. Vale a pena conferir esse conto muito interessante.

Epitáfio de Juriene Pereira da Silva; esse conto me chamou atenção porque além das pessoas não terem nome, ele narra a linda história de amor de um cantor lírico cego que se apaixonou por uma menina enquanto ela era criança e que a esperou crescer para concretizar seu amor. O conto é lindo e trata do amor de forma muito sóbria e romântica.

Verdade e conseqüência de Guilherme Mafer; esse conto é ótimo porque ele não tem como interlocutor um humano e quando descubro do que se trata, cai a ficha total. Esse conto é muito bem escrito e deixa a gente na expectativa de saber quem está contando desde o começo até o final.

O beijo da Dama de Rafael Sales. Antes de qualquer coisa, eu realmente separei esse conto por gostar dele e não porque foi o Rafael que mandou o livro (essa blogeira não tem nenhum compromisso de falar bem de alguma obra por algum motivo, eu escrevo o que gosto e adorei esse conto), voltando ao conto. Ele se passa na idade média e mostra que todos, TODOS, não importado a classe social, vão se encontrar com a Dama e receber seu beijo. O conto é bem fascinante pela forma como a Dama se comporta que me parece bem verdadeira caso ela exista e como algumas pessoas arrogantes acham que podem ter toda a diversão de qualquer pessoa quando bem entenderem.

O Viajante de H. Revolta: esse é o primeiro conto publicado pelo autor que faleceu (como eu falei antes) e faz a gente lamentar de forma mais profunda a perda, pois o conto é incrível e revela uma mente brilhante para contar histórias, seria um GRANDE expoente na nossa literatura se tivesse tido mais tempo. Ele conta a história de Basílio e como esse comerciante de morte encontra, em um dia de chuva pesada, com o implacável destino e como devemos cuidar nossos atos porque a conta pode sair cara demais para nossos bolsos.

Eu li Pravda de Claudia Vasconcellos mais de uma vez de tanto que gostei dele: conta a história de um russo tentando ser conhecido em seu país. Como ele desconhecia quantos homens morreram no espaço em nome da Mãe Russia, entrega sua juventude e sua vida ao programa par ver a nossa casa azul. Como nem tudo são flores, ele tem que enfrentar a imensidão azul se afastando e o horizonte infinitamente negro chegando mais e mais perto.

Sonata Em G Menor de Raphael Soares. Outro conto sensível falando de um homem que quer notoriedade (mas esse na música), quer ser reconhecido, quer que sua obra clássica se torne clássica, mas para isso precisa de algo importante: estar como todos os seus ídolos estão, MORTOS. Esse conto narra à vida e a obra de um homem brilhante que é vítima da nossa cultura fatalista.

O último que vou destacar é LIMBO de Bruno A. porque ele retrata a espera pela morte ou pelo retorno, a angustia de uma sala branca vedada e vazia onde você é sua única companhia e a janela, sua única forma de distração momentânea. Ver a vida passar nunca é uma boa coisa e se você estiver preso em sua própria existência sem sentido, torna-se um inferno de enfrentar. Esse conto é profundo e nos faz refletir um pouco sobre a existência.

Bem, termino esse breve relato sobre o livro falando que todos os 67 contos são incríveis eu só tive que fazer uma seleção para conseguir terminar essa resenha porque, se fosse falar de todos, ficaríamos aqui, eu escrevendo horas a fio e vocês lendo, e eu poderia estragar algum conto porque tem alguns mais curtos que uma palavra poderia acabar com o clímax.

O livro vale a pena ser lido então venha nessa viagem ao outro lado, mas não esqueça suas moedas, a gente nunca sabe quando vai precisar dos serviços de Caronte.

Beijos Malditos
Susana

PS: Bem pessoal tenho uma novidade até o dia 30/3/2012 a cristina Gimenes estará recebendo contos sobre a morte para Moedas para o barqueiro Volume III. Mais informações AQUI



SINOPSE: Segundo a mitologia grega, o mundo dos vivos é separado por um rio do mundo dos mortos, e Caronte, o barqueiro, atravessa a alma dos que desencarnam mediante o pagamento de duas moedas. Por causa dessa crença mitológica, até hoje, algumas culturas incentivam que uma moeda seja colocadas por seus entes amados em cada olho do falecido. Assim, não lhe faltaria o pagamento devido ao barqueiro e o desencarnado não ficaria preso entre duas terras. MOEDAS PARA O BARQUEIRO – VOLUME III traz novos contos sobre a única certeza da vida.Booktrailer



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