quarta-feira, 15 de agosto de 2012

Resenha de “O Silmarillion”


A Lenda por traz do épico



Sinopse:
‘O Silmarillion’ relata acontecimentos de uma época muito anterior ao final da Terceira Era, quando ocorreram os eventos narrados em ‘O Senhor dos Anéis’. São lendas derivadas de um passado remoto, ligadas às Silmarils, três gemas perfeitas criadas por Fëanor, o mais talentoso dos elfos. [SKOOB]

Dizem que um “prefácio” é algo escrito depois de um livro, colocado no início deste e que ninguém lê. É importante ignorar este conceito com as obras de Tolkien. Muito do que indagamos ao longo do livro pode ser respondido lendo o prefácio e os apêndices. “O Silmarillion” pode ser considerado um “prefácio”. Apesar de ser publicado após o sucesso de “O Senhor dos Anéis”, ele não é uma sequência, mas um prólogo. Muito do que aparece em versão resumida nos apêndices de “O Senhor dos Anéis”, é detalhado e explicado aqui. 

Apesar de ser um livro mais breve que “O Senhor dos Anéis”, “O Silmarillion” é muito mais complexo. Nele há relatos que abrangem tanto a “origem do mundo” como a confecção dos anéis de poder e a perda do “Um Anel”. De fato, muito do universo de “O Senhor dos Anéis” é explicado nesta obra.

Assim como  “O Senhor dos Anéis”  é narrado como a ‘transcrição do Livro Vermelho’ (compilação dos fatos referentes ao final da Terceira Era, segundo as perspectivas de Frodo, Sam, Merry, Pipin e Aragorn), “O Silmarillion” é narrado na forma de lendas muito antigas. Ele é dividido em Cinco Partes: “Ainulindalë”, “Valaquenta”, “Quenta Silmarillion”, “Akallabêth” e “Dos Anéis de Poder e da Terceira Era” (além dos apêndices).

Ainulindalë

Ainulindalë (A Música dos Ainur) conta a história de como Eru, o Único (também chamado de Ilúvatar), criou os Ainur para lhe fazer compania e de como, com as músicas que lhes ensinava, criou Eä (o Mundo ou o Universo Material), segundo unicamente suas idéias e de ninguém mais. Ao apresentar Eä pronta e povoada pelos seus ‘Filhos’ (elfos e humanos), Eru permite que os Ainur interessados possam viver nela, sendo assim denominados de Valar. Já nesta parte é relatado como Merkor, um dos primeiros Ainur (e Valar), começou a se afastar do destino idealizado pelo seu criador, ambicionando ter o poder de criar ‘músicas’ originais 

Valaquenta

Valaquenta (o Relato dos Valar) trará a respeito dos Valar, sua origem e de seu papel na formação de Arda. Nesta parte fica claro que o livro é uma ‘compilação de lendas’, visto a sobreposição de fatos relatados entre “Ainulindalë” e “Valaquenta” (se resumidos em um, melhor detalhado em outro). Valaquenta também trata de como Merkor agiu em sua crescente ambição.

Quenta Silmarillion

Quenta Silmarillion (A História das Silmarils) conta os fatos dês de a formação do mundo, do surgimento dos “Filhos de Ilúvatar” (elfos e humanos) até a conclusão do papel de Merkor em Arda.

Esta parte inicia com um breve relato no início do mundo (mais um ponto de vista do que já foi narrado em “Ainulindalë” e “Valaquenta”), seguindo para o surgimento dos elfos sob o apogeu do poder de Merkor na Terra Média. Após embates e da captura de Merkor, os elfos são convidados a migrarem para a segurança de Valinor (a terra dos Valar, além do grande mar). Apesar do explícito afeto dos Valar pelos Filhos de Ilúvatar, nem todos respondem a seu chamado, resultando na primeira cisão dos elfos.

Nas longevas paz e tranqüilidade de Valinor, Fëanor, o mais talentoso dos elfos, cria as três Silmarils. Entretanto a inigualável beleza delas desperta a cobiça de Merkor, libertado após eras de cárcere pelos misericordiosos Varar. Suas mentiras disseminam a desconfiança e a discórdia entre os elfos. Em meio à crescente tensão, as Silmarils são roubadas e levadas à Terra Média. Assim inicia-se a jornada de Fëanor, seguido por seus descendentes e seus aliados, em busca do que lhe foi usurpado, sobrepujando todos que ficarem em seu caminho.

Em meio a esta época de violência, desconfiança e conflito, perante o crescente poder do escuro, surgem os humanos na Terra Média. Os primeiros grupos surgem em migração para o oeste, afastando-se dos humanos orientais, fieis ao escuro. Dentre esses humanos surgem heróis com papéis significativos na recuperação das Silmarils e na queda do primeiro senhor do escuro.

Entre os inimigos dos Valar e dos Filhos de Iluvatar, estão as criaturas do escuro conhecidas como ‘Orcs’, ‘dragões’ e ‘balrogs’ (mencionados em “O Hobbit” e  “O Senhor dos Anéis”). Entre os muitos seguidores do grande senhor do escuro, destaca-se Sauron, seu mais leal servo. Tamanha força impõe dificuldade aos heróis por gerações até a esperada vitória destes.

Akallabêth

Akallabêth (A Queda de Númenor) conta a história da ascensão, apogeu e, principalmente, do fim de Númenor.

Concluídos os conflitos em torno das Silmarils, os Valar instituem que os filhos de Eärendil, os meio-elfos, optem seguir a linhagem élfica ou a humana. Ao contrário de seu irmão, Elros opta pela linhagem humana, tornando-se rei de Númenor, terra criada entre a Terra Média e Valinor e o destino mais a oeste permitido aos humanos. Apesar de serem agraciados com vidas muito mais longas que os humanos da Terra Média (por seu papel na queda de Merkor) e de seus poder e conhecimento crescentes, os numenorianos passam, ao longo dos séculos, a se ressentir da inevitável mortalidade e da proibição de aportar em Valinor.

Neste período, eles intervem na Terra Média para por fim aos planos de Sauron, ainda no início. Este, sábio o bastante para perceber a inevitável derrota, é ardiloso o suficiente para aceitar a condição de ‘servo’ dos reis em Númenor. Assim como seu mestre em Valinor, o novo senhor do escuro nutri discórdia com suas mentiras. Tais mentiras não só põe fim definitivo ao contato dos humanos com os Valar como condena Númenor às profundezas, a exceção de Elendil, seus filhos (Isildor e Anárion) e seus aliados, que se estabelecem na Terra Média.

Dos Anéis de Poder e da Terceira Era

Nesta parte é relatado como Sauron confeccionou os Anéis de Poder em cooperação dos elfos e o porquê de sua distribuição (três para os elfos, sete para os anões e nove para os humanos). Relata-se também a perda do Um Anel, as primeiras tentativas de Sauron recuperá-lo e a chegada dos Magos (Saruman, Gandalf, Radagast,...) à Terra Média.

Gráficos, Glosário e Mapas

Os gráficos anexados ao final auxiliam a compreender quem são os personagens. Eles indicam a genealogia, tanto elfica quanto humana, e a relação entre eles, em especial entre os elfos após suas cisões. Neles também é possível encontrar personagens conhecidos de  “O Senhor dos Anéis” como Isildur, Elrold, Galadriel,...

Os glossários permitem compreender e lembrar dos termos mencionados tanto em “O Silmarillion” como aqueles explicados anteriormente em “O Hobbit” e  “O Senhor dos Anéis”. É uma ferramenta útil para reforçar a ligação entre as partes deste livro como desta com as demais obras de Tolkien.

Os mapas de “O Silmarillion” não auxiliam apenas a localizar os fatos narrados. Muitas mudanças geográficas foram provocadas nos conflitos citados de modo que pouco a Terra Média deste livro assemelha-se à da Terceira Era. Comparar os mapas anexados neste livro com os anexados em  “O Senhor dos Anéis” pode ser esclarecedor.

O Autor


Sir John Ronald Reuel Tolkien foi um escritor, professor universitário e filólogo britânico. Tolkien nasceu na África do Sul e aos três anos de idade, com sua mãe e irmão, passou a viver na Inglaterra, terra natal de seus pais. Desde pequeno fascinado pela lingüística, cursou a faculdade de Letras em Exeter. Lutou na Primeira Guerra Mundial, onde começou a escrever os primeiros rascunhos do que se tornaria o seu “mundo secundário” complexo e cheio de vida, denominado Arda, palco das mundialmente famosas obras ‘O Hobbit’, ‘O Senhor dos Anéis’ e ‘O Silmarillion’, esta última, sua maior paixão, que, postumamente publicada, é considerada sua principal obra, embora não a mais famosa. [SKOOB]

P. M. Zancan

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